Você passa muito tempo acreditando que seus pais entendem tudo, sabem tudo, inclusive o que é melhor para você.
Até descobrir que eles são mortais, não te entendem, erram, tentam controlar, igualzinho a você.
Você passa muito tempo achando que em algum momento será feliz, mas que para isso precisa encontrar o amor da sua vida, ter sucesso, amigos, dinheiro e saúde.
Até descobrir que felicidade é uma constante negociação consigo mesma, e que só com isso você desfrutará verdadeiramente de seus amigos, sucesso, saúde, dinheiro e terá condições de viver um amor.
Você passa muito tempo acreditando em seus defeitos, qualidades, vícios e capacidades.
Até perceber que você mesma define suas características, mas suas características não são quem você é.
Você passa muito tempo acreditando na magia de Vovó Mafalda...
Até descobrir que ela morreu! E que era um homem!!!
sábado, 12 de julho de 2008
domingo, 4 de maio de 2008
Já vou mãe!
Tenho 23 anos, idade que parece demais às vezes, e às vezes muito pouco.
É cada vez mais difícil admitir que ainda sou nova, pois parece que de repente me verei com 20 anos a mais, ainda tentando entender a vida...
Mas é difícil enxergar também que essa "velhice" tem muito da nossa idéia de que somos espertos, vividos e adultos, idéia difícil de relativizar, só temos nosso passado pra comparar...
A cidade acaba se tornando nossa casa, nosso referencial se perde e sobreviver é a prioridade, pois ninguém fará nosso papel por nós...
Já passei por essas coisas, provavelmente passarei de novo.
Mas dessa vez saí disso, sei lá porque, mais conciliada e tranquila com todos os papéis que assumimos na vida, estudante, trabalhadora, amiga, irmã, neta, mulher, filha...
E quem sabe meus próximos papéis acabem me completando e construindo, mas desta vez sem pressa, apenas curiosa por tudo aquilo que está por vir.
É cada vez mais difícil admitir que ainda sou nova, pois parece que de repente me verei com 20 anos a mais, ainda tentando entender a vida...
Mas é difícil enxergar também que essa "velhice" tem muito da nossa idéia de que somos espertos, vividos e adultos, idéia difícil de relativizar, só temos nosso passado pra comparar...
A cidade acaba se tornando nossa casa, nosso referencial se perde e sobreviver é a prioridade, pois ninguém fará nosso papel por nós...
Já passei por essas coisas, provavelmente passarei de novo.
Mas dessa vez saí disso, sei lá porque, mais conciliada e tranquila com todos os papéis que assumimos na vida, estudante, trabalhadora, amiga, irmã, neta, mulher, filha...
E quem sabe meus próximos papéis acabem me completando e construindo, mas desta vez sem pressa, apenas curiosa por tudo aquilo que está por vir.
sábado, 26 de abril de 2008
eu choro, mas não há desespero, apenas tristeza.
eu sorrio, mas não há fingimento, apenas sinceridade.
eu trabalho, mas não há obrigação, apenas concentração.
eu sinto dor, mas não há medo, apenas pressão.
eu durmo, mas não há preguiça, apenas cansaço.
eu como, mas não há prazer, apenas fome.
eu vivo, mas não pela metade, eu finalmente vivo comigo.
eu sorrio, mas não há fingimento, apenas sinceridade.
eu trabalho, mas não há obrigação, apenas concentração.
eu sinto dor, mas não há medo, apenas pressão.
eu durmo, mas não há preguiça, apenas cansaço.
eu como, mas não há prazer, apenas fome.
eu vivo, mas não pela metade, eu finalmente vivo comigo.
terça-feira, 18 de março de 2008
Dúvida
Como não acreditar na bondade humana quando ela vem de graça, sorrateira e pedindo desculpas por existir?
O que estraga, na maioria das vezes, não é o fornecedor e sim o receptor.
Como aceitar a bondade simplesmente quando é muito mais fácil, depois de tantas feridas por má-interpretação, esperar sempre o pior?
Daí o medo, de novo, vem nos toldar, sussurar no ouvido o quão inocente somos por ousar pensar na possibilidade de um ato abnegado vindo de alguém.
E nos pegamos concordando. Endurecendo e restringindo a mente, enxergando nossa visão deturpada (como qualquer visão) da realidade, como verdade absoluta.
Bom, eu me presenteei pelo menos com o benefício da dúvida. Já é alguma coisa.
O que estraga, na maioria das vezes, não é o fornecedor e sim o receptor.
Como aceitar a bondade simplesmente quando é muito mais fácil, depois de tantas feridas por má-interpretação, esperar sempre o pior?
Daí o medo, de novo, vem nos toldar, sussurar no ouvido o quão inocente somos por ousar pensar na possibilidade de um ato abnegado vindo de alguém.
E nos pegamos concordando. Endurecendo e restringindo a mente, enxergando nossa visão deturpada (como qualquer visão) da realidade, como verdade absoluta.
Bom, eu me presenteei pelo menos com o benefício da dúvida. Já é alguma coisa.
Música
Não é cansaço, mesmo tendo dormido às duas e acordado às seis.
Não é tristeza, mesmo tendo assistido às várias e sempre surpreendentes formas da miséria humana todos os dias.
Não é raiva, mesmo percebendo que o mundo chafurda cada vez mais em sua própria arrogância e esquizofrenia.
É exatamente este o problema. Não é nada disso que sinto.
É um suspiro permanente que me arrepia a espinha, que me faz vislumbrar a face do conformismo e me larga consternada.
Mas então eu escuto Cássia. Felizmente o homem apostou na música como um meio de disseminação cultural, senão agora eu estaria encrencada.
Não é tristeza, mesmo tendo assistido às várias e sempre surpreendentes formas da miséria humana todos os dias.
Não é raiva, mesmo percebendo que o mundo chafurda cada vez mais em sua própria arrogância e esquizofrenia.
É exatamente este o problema. Não é nada disso que sinto.
É um suspiro permanente que me arrepia a espinha, que me faz vislumbrar a face do conformismo e me larga consternada.
Mas então eu escuto Cássia. Felizmente o homem apostou na música como um meio de disseminação cultural, senão agora eu estaria encrencada.
Medo
Não é verdade que as pessoas mais felizes são aquelas que nada temem, estas simplesmente possuem uma forma muito diferente de vida e felicidade.
Mas para aqueles que compartilham deste aspecto quase unânime na sociedade humana, as pessoas mais felizes provavelmente serão aquelas que reconhecem, vivenciam e verdadeiramente se apropriam de seus medos.
Mas para aqueles que compartilham deste aspecto quase unânime na sociedade humana, as pessoas mais felizes provavelmente serão aquelas que reconhecem, vivenciam e verdadeiramente se apropriam de seus medos.
quarta-feira, 12 de março de 2008
pra pensar, não pra concordar
O ser humano é racista.
A identificação e definição das diferenças entre o eu e o outro é o mecanismo que faz com que reconheçamos o mundo, nossa realidade e nós mesmos como coisas separadas.
Eu não sou como essa cadeira, logo essa cadeira é diferente de mim e portanto eu não sou uma cadeira.
Esse raciocínio básico de separação entre o indivíduo e seu meio exterior, através das diferenças entre ele e o meio, assim como qualquer percepção, pode ser exaltado ou desencorajado, mas está aí, presente em qualquer pessoa.
Somos diferentes. Durante séculos de convívio social produzimos e reproduzimos complexas redes de interações que nos induzem, desde o nascimento, ao comportamento majoritário em nosso grupo que, no fim, forma nossa identidade.
Dois aspectos conflitantes. Ao mesmo tempo que comparamos e identificamos contínuamente o diferente, não medimos esforços para nos igualarmos em nosso próprio grupo.
Some a isso o arcabouço cultural predominante, glorificação e exaltação da etnia branca em detrimento e contraposição direta às outras etnias.
As alterações desta realidade que nos é dada só dependem de nós mesmos. Quem mantém ou altera qualquer aspecto cultural de um povo é este mesmo povo.
Aceitar nossas limitações como ser humano e reconhecer nossos comportamentos sociais não significa compactuar com eles. Admitir que eles existem é o primeiro passo honesto em busca de alguma modificação real.
O que mais me entristece é a negação da realidade. A falta de disposição para lidar com problemas que nos exigem uma solução, chegando ao ponto de negá-los só me remete a duas explicações, fraqueza de caráter ou má-fé mesmo.
A identificação e definição das diferenças entre o eu e o outro é o mecanismo que faz com que reconheçamos o mundo, nossa realidade e nós mesmos como coisas separadas.
Eu não sou como essa cadeira, logo essa cadeira é diferente de mim e portanto eu não sou uma cadeira.
Esse raciocínio básico de separação entre o indivíduo e seu meio exterior, através das diferenças entre ele e o meio, assim como qualquer percepção, pode ser exaltado ou desencorajado, mas está aí, presente em qualquer pessoa.
Somos diferentes. Durante séculos de convívio social produzimos e reproduzimos complexas redes de interações que nos induzem, desde o nascimento, ao comportamento majoritário em nosso grupo que, no fim, forma nossa identidade.
Dois aspectos conflitantes. Ao mesmo tempo que comparamos e identificamos contínuamente o diferente, não medimos esforços para nos igualarmos em nosso próprio grupo.
Some a isso o arcabouço cultural predominante, glorificação e exaltação da etnia branca em detrimento e contraposição direta às outras etnias.
As alterações desta realidade que nos é dada só dependem de nós mesmos. Quem mantém ou altera qualquer aspecto cultural de um povo é este mesmo povo.
Aceitar nossas limitações como ser humano e reconhecer nossos comportamentos sociais não significa compactuar com eles. Admitir que eles existem é o primeiro passo honesto em busca de alguma modificação real.
O que mais me entristece é a negação da realidade. A falta de disposição para lidar com problemas que nos exigem uma solução, chegando ao ponto de negá-los só me remete a duas explicações, fraqueza de caráter ou má-fé mesmo.
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