domingo, 17 de fevereiro de 2008

folha ao vento

Você acha que está pronto para tudo? Pensa que a vida é de algum modo restrita à gama de possibilidades que sua imaginação pode alcançar? Conselho de amiga: pense de novo.
Quem sempre teve clareza de seus próprios sentimentos ou pelo menos possui pouca presença de espírito para questioná-los, até poderia manter um norte nas eventuais tempestades que todos passamos na vida, mas agora não é mais este o caso. A folha perdida em um vento brincalhão e cruel talvez seja a melhor alegoria para esses momentos.
Tudo parece refletir no interior, modificar de alguma forma aquilo que com muito esforço se tenta construir, ou melhor, reconstruir.
O cheiro que de surpresa aparece numa camisa, um livro deixado para trás, uma música, algo dito por alguém, a maneira como o silêncio ecoa no vento passando pela sala.
Meu corpo parece responder sozinho a estímulos que mal percebo. Cada movimento mais contraditório que o anterior.
Enfim, situações novas levam ao crescimento pessoal e auto-conhecimento, blá, blá, blá...
Neste momento, tudo que eu quero é algo mais forte do que minha própria racionalidade, mas pelo jeito isso, infelizmente, está escasso no mercado.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

uma sexta-feira chuvosa. esse é o início da concretização de algo que espero e planejo a muito tempo.
o trabalho passou batido, a chuva continua, mas sem deixar vestígios em mim, o dia se torna noite e eu mal percebo a mudança de tonalidade do céu.
sinto a realidade desse momento de forma irreal, mágica, onde parece que nada pode abalar a vibração que aumenta cada vez mais dentro de mim.
falei várias vezes isso durante o dia, e cada vez mais percebo, esse sentimento é a paixão!
estou apaixonada! fazia tempo que não me sentia assim!

domingo, 6 de janeiro de 2008

prefiro a realidade

"E o sucesso é amargo quase tanto quanto a derrota. Vaidade de tudo: verdade de tudo. Como não se ficaria decepcionado, pois que se desejava sem conhecer, pois que se tomava o desejo pessoal por um conhecimento? Decepção: desilusão. É a mesma coisa, e o gosto mesmo da verdade. O amor decepciona. O trabalho decepciona. A política decepciona. A arte decepciona. A filosofia decepciona. Pelo menos decepcionam primeiro e por muito tempo - até o dia em que os amamos pelo que são, pelo que são realmente, pelo que são apesar de tudo, e já não pelo que se tinha sonhado ou esperado deles. Trabalho do luto: trabalho da desilusão. Não se trata de acreditar; trata-se de conhecer e de amar. Um escritor que ainda acredita na literatura, que poderá ele ensinar-nos de importante sobre ela ou sobre a vida? E um filósofo, se acredita na filosofia? E como amar verdadeiramente, enquanto se acredita no amor, enquanto se faz dele uma religião, um absoluto, um sonho? Toda esperança é decepcionada sempre, mesmo quando é satisfeita; é no que a satisfação tantas vezes é melosa, como um desejo insosso assim que é saciado... Muitos, constatando que a vida não corresponde às suas esperanças, vão então acusar a vida, censurá-la absurdamente por ser o que ela é (como ela seria outra coisa?), enfim enterrar-se vivos no rancor ou no ressentimento... Prefiro o alegre amargor do amor, do sofrimento, da desilusão, do combate, vitórias e derrotas, da resistência, da lucidez, da vida em ato e em verdade. Prefiro a realidade, e a dureza da realidade."

domingo, 30 de dezembro de 2007

reação II

negar o sentimento de outra pessoa é impossível. a única opção verdadeiramente sua é a forma como você irá demonstrar sua reação a isso.
não digo uma reação pensada, racional, falo daquela reação que surge espontâneamente, como a construção de um quebra-cabeças. você não enxerga a imagem completa, às vezes há pistas, mas no início há muitos erros de interpretação.
mas ainda não é isso, pois essa nossa reação aos estímulos externos também não é controlada, ela se dá conforme o nosso instante e como interpretamos o mundo naquele instante.
no fim, o que nos resta é como expressar, ou não, essa reação.
este é o trabalho laborioso, a escolha injusta, lidar com um sentimento que não gostaríamos de sentir ou com um que nos entristece muito de não sentirmos é um trabalho solitário.
apesar do sentimento ser projetado a um ente externo a nós mesmos, apenas ao nos voltarmos para dentro e questionarmos o que realmente queremos, porque e até onde estamos dispostos a ir, é que alcançamos alguma orientação em meio ao leque enorme de opções de ação.
agir corretamente com quem nos demonstra afeto? sim, esse é um norteador muito potente, mas agir corretamente com os nossos próprios sentimentos é sempre o que deve prevalecer.

reação I

para cada ação, uma reação, para cada sim, um não... será? os clichês estão aí, talvez, para mostrar um óbvio que nos negamos a aceitar de fato, e por isso repetimos sempre, na esperança de um dia assimilarmos.
a luta pela igualdade social gera sua própria reação contrária. aceitar esse fato simples nos previne de mais uma pedra que sempre temos que ultrapassar, a inocência de acreditarmos que uma luta justa sempre terá eco e auxílio.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

essas duas...

São duas pessoas que vivem dentro de mim. Uma quer uma casa, um amor, filhos, e ser aquela que apóia, ajuda e contempla feliz o crescimento das pessoas à sua volta, sabendo que fez o melhor que pôde. A outra quer o mundo, a briga, a luta. Quer o dia-a-dia inesperado e caótico de quem constrói e modifica, de quem lidera e tenta sempre aplicar e ensinar aquilo que acredita.
Sonho em um dia unir essas duas, torná-las amigas inseparáveis. Por enquanto elas brigam, não conseguindo partilhar meu coração, cada qual quer pra si ele inteiro. Mas eu não desisto de teimar, um dia, numa curva da estrada, vou descobrir uma maneira de uni-las. Por enquanto eu vou com elas, aprendendo a conhecê-las e amá-las.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

que canseira!

a dor e o cansaço às vezes são sensações quase prazerosas. É sentir em cada fibra que pulsa o esforço feito até ali, é sentir na garganta que falha o quanto ela foi requisitada, é sentir na ardência dos olhos a força de vontade para aguentar só mais um pouquinho. Não quero dizer com isso que gosto de sofrer, longe disso! Só quero diferenciar aquele cansaço forçado, de quando não temos escolha, do cansaço opcional, aqueles momentos tão maravilhosos em que optamos por nos mover, apesar de todas as tentações da preguiça.