terça-feira, 31 de maio de 2016

dez anos depois.

Comecei este blog em 2007, já fazem quase 10 anos...
a exposição poética exige uma abertura íntima, do nosso frágil conteúdo que não resistiria às interpéries de um peito aberto.
medo de ser julgada.
paralisia.
paralisia.
a calmaria que antecede a tempestade.

Porque voltei? Pode ser uma convulsão irascível, um chacoalhar dessa três vezes maldita paralisia. Ou pode ser o início da torrente que me alivia da pressão cotidiana.

Há margem para os dois lados, pelo menos.

quinta-feira, 24 de março de 2011

daquelas do chico....

Dia desses, num dos ônibus (sempre eles!) da vida...


Eu queria ser
Um tipo de compositor
Capaz de cantar nosso amor
Modesto

Um tipo de amor
Que é de mendigar cafuné
Que é pobre e às vezes nem é
Honesto

Pechincha de amor
Mas que eu faço tanta questão
Que se tiver precisão
Eu furto

Vem cá, meu amor
Aguenta o teu cantador
Me esquenta porque o cobertor é curto

Mas levo esse amor
Com o zelo de quem leva o andor
Eu velo pelo meu amor
Que sonha

Que enfim, nosso amor
Também pode ter seu valor
Também é um tipo de flor
Que nem outro tipo de flor

Dum tipo que tem
Que não deve nada a ninguém
Que dá mais que maria-sem-vergonha

Eu queria ser
Um tipo de compositor
Capaz de cantar nosso amor
Barato

Um tipo de amor
Que é de esfarrapar e cerzir
Que é de comer e cuspir
No prato

Mas levo esse amor
Com zelo de quem leva o andor
Eu velo pelo meu amor
Que sonha

Que, enfim, nosso amor
Também pode ter seu valor
Também é um tipo de flor
Que nem outro tipo de flor

Dum tipo que tem
Que não deve nada a ninguém
Que dá mais que maria-sem-vergonha

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

um ano depois

querido diário virtual público...

porque eu criei esse blog mesmo!? se não me lembro, provavelmente não importa mais...

quase um ano se passou, provavelmente ninguém mais vai ler isso aqui, e o que eu tenho a dizer?
mudei de cidade,
mudei de emprego,
ganhei novos amigos,
e novas perspectivas.

o que ficou?
a saudade
a melancolia
a angústia...

mas isso não é uma história triste, essa é a história de como percebi que amo a vida! AMO-A! seja ela como for...

um ano sem escrever, talvez signifique que eu vivi.
esse nó na garganta talvez signifique que eu vivi.
essa força que vem de perder o chão tantas, tantas vezes até aprender a errá-lo talvez signifique que eu vivi...

numa recente avaliação psiquiátrica o médico me sugeriu:
- você começou já muitas coisas, agora está na hora de concluí-las.

sempre adorei começar...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

bate o pé no chão!

é como me sinto hoje:

Canto uma canção bonita,
Falando da vida, em 'Ré maior'.
Canto uma canção daquela
De filosofia,
Do mundo bem melhor.

Canto uma canção que agüente
Essa paulada, e a gente
Bate o pé no chão.
Canto uma canção daquela
Pula da janela
Bate o pé no chão.

Sem o compromisso estreito
De falar perfeito,
Coerente ou não.
Sem o verso estilizado,
O verso emocionado
Bate o pé no chão...

Canto uma canção bonita
Falando da vida, em 'Ré maior'.
Canto uma canção daquelas
De filosofia,
E mundo bem melhor

Canta uma canção que agüente
Essa paulada, e a gente
Bate o pé no chão.
Canto uma canção daquela
Pula da janela
Bate o pé no chão.

Sem o compromisso estreito
De falar perfeito,
Coerente ou não.
Sem o verso estilizado,
O verso emocionado
Bate o pé no chão...

Canto o que não silencia
É onde principia a intuição
E nasce uma canção rimada
Da voz arrancada
Ao nosso coração

Como, sem licença, o sol
Rompe a barra da noite
Sem pedir perdão!
Hoje quem não cantaria
Grita a poesia
E bate o pé no chão!

E hoje quem não cantaria
Grita a poesia
E bate o pé no chão!

Sem o compromisso estreito
De falar perfeito,
Bate o pé no chão
Sem o verso estilizado,
O verso emocionado
Bate o pé no chão...

Canto uma canção bonita
Falando da vida, em 'Ré maior'.
Canto uma canção daquela
De filosofia,
Do mundo bem melhor.

Canto uma canção que agüente
Essa paulada, e a gente
Bate o pé no chão.
E hoje quem não cantaria
Grita a poesia.
Bate o pé no chão...


\o/ \o/

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

uma certa tolice...

Não sei bem o que escrever...

Tentativa de passar através dos dedos aquilo que mal conseguimos discernir na estática de sinapses do cérebro, confundida ainda pelas batidas descompassadas desse músculo que insiste em interferir em tudo que mostrarmos pra nós mesmos como lógico, racional e óbvio...

Poderia aqui muito bem falar sobre a lógica, o racional, o óbvio, sobre a injustiça, a luta, o mundo, a crítica, mas nado contra a maré nessa realidade de complacência auto-defensiva.

Prefiro falar aqui do meu motivo para essa atitude "ilógica", e esse motivo não é outro além da paixão, do amor inegável que sinto, que me dá uma perspectiva ás vezes ininteligível pra quem olha de fora, sem a mesma passionalidade.

Amo as pessoas, sim, é uma relação de amor e ódio, sinto raiva de determinados aspectos que também são humanos, mas são aqueles que negam ou se opõe a essa paixão que sinto pela incrível realidade que é a vida.

Dizem que a fé move montanhas, eu acho que a frase está incompleta, é a fé no AMOR que move montanhas! ignoramos a tradição, o comum, o normal não por termos certeza de nossos próximos passos, temos certeza do sentimento, ele é inegável, só sendo silenciado quando nos entregamos ao pragmatismo de termos medo dele - e de suas consequencias - e nos agarramos ao que "todo mundo faz".

Trocamos nossa motivação de viver - o amor a vida - por uma segurança ilusória e fugidia de calcarmos passos já traçados pois eles nos parecem mais firmes.

Talvez os maiores gigantes em nosso peito, o amor e o medo, passem constantemente nossas decisões em xeque, esperando o primeiro obstáculo para reforçar uma visão de mundo "mais fácil", um "como viver do modo certo com o mínimo de sofrimento".

Consideramos a emoção uma fraqueza e a racionalidade uma força, como se o sentimento fosse de alguma forma mais manipulável que a razão... como somos tolos...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

o tempo passa, o tempo voa....

olhei pra trás dia desses...
aniversário (uma inusitada felicidade solitária), um gato (o animal, aquele de quatro patas, com garras, dentinhos afiados como agulhas e um pêlo malhado de preto e cinza lindo!), uma demissão (um teste, um enfrentamento e aquele gostinho agridoce na boca), uma troca de curso (feche os olhos, respire fundo e... vai!!), brasília (eta, eta, eta, a UJS faz um conune micaretaaa...), piracicaba (uma pequenina vida à parte, mas que deixou marcas em meu coração e mente).
e tantas outras coisas, pequenas ou grandes, em seis meses as coisas dentro e fora mudaram muito.

me disseram duas coisas esses tempos:

-"tu tá desperdiçando as tuas oportunidades"- desperdiçar? desperdiçar é a estática, a imobilidade, a inação, quem se move está vivendo, buscar a imobilidade é desistir. (além disso, oportunidade é um termo tãããããoooo relativo...)

e

-"o tempo é a única forma de realmente sabermos"- é doloroso ouvir isso quando se necessita de certezas imediatas, mas aquilo que passa pela prova do tempo possui em si uma certeza que não existe em mais nada.

sábado, 16 de maio de 2009

histórias de paradas 2

Parada de ônibus, aquele intervalo, intersecção de dois universos.
Da saída à chegada existe o caminho, mas o caminho é delimitado.
Numa parada, para nós, usuários destas caixas de metal que andam em círculos, passam as diversas possibilidades, poderíamos pegar qualquer um, porque não?
A tentação é forte, qualquer caminho, qualquer final, principalmente ouvindo um samba.
Imaginariamente cada ônibus é uma lembrança do que poderia ter sido, mas já passou...

Opa, chegou o meu e, pensando nos que passaram, quase que fico eu.